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Danielle Marins, 2019. Tecnologia do Blogger.

Danielle Marins


Chega um momento na vida que nos tornamos malabaristas ou, mais especificamente, equilibristas de pratos. Mulheres são especialistas em lidar e em "se virar" em várias áreas da vida. Geralmente e sempre, uma mulher. 

E existe um momento, uma fase em que tudo muda para uma mulher. E essa mudança se torna a base para todos os demais pratos que ela já equilibrava antes. Ser mãe.

Ser mãe altera uma mulher de forma física, mental e espiritual. A vida, o corpo, a mente e a identidade sofre uma reconfiguração que agora prioriza não mais a si mesma, mas um outro ser humano. Arrisco sem erro em dizer que este se torna o ser humano mais importante da vida dessa mulher. É natural.

Uma mulher que se torna mãe, agora tem como prioridade a sua prole. E todos os pratos que antes ela equilibrava, não sumiram e muito menos foram delegados - antes tivessem sido. Todos os pratos antes equilibrados ainda existem, mas se tornaram triviais, mas não por isso, se tornaram menos penosos.

A mulher que agora é mãe, equilibra os pratos e, eles são numerosos. Todavia, os pratos antes importantes tomam nova forma, descem no grau de prioridade, podem até cair, pois se tornaram pratos de Plástico. Se caírem não vão se quebrar. Podem talvez, sofrer algum pequeno dano, um trinco, um amassado, contudo, seguirão firmes e existentes para ainda serem equilibrados. Porquanto, um prato muito importante, que de forma imponente gere e dita o curso e o ritmo dos demais pratos, está sendo equilibrado como o centro de todo o resto do malabarismo. E este prato não pode cair, nunca. É frágil, mas é valioso, porque esse prato é de Cristal.

Ah, o prato de Cristal!

A verdade, que nenhuma mulher, muito menos uma mãe quer admitir - embora precise - é que ninguém equilibra todos os pratos. No entanto, o segredo está em saber quais pratos são de plástico e quais são de cristal.

Eu sou essa mulher que tem muitos pratos para equilibrar. Uns tenho deixado sem muitos cuidados, vivem caindo, mas sempre tento equilibrá-los de novo, e de novo... 

Como mulher, eu passei por essa transformação. Eu me tornei mãe. E a verdade é que sigo ainda em reconfiguração. Quando será que termina? - se é que termina. E é por isso que escrevo esse texto. Para me dar clareza mas também para ser voz para alguma mulher, que como eu, sente o mesmo.

Meus muitos pratos são de plástico, ainda que sejam alguns deles de grande valor para mim. Mas eu sei que há um único prato de Cristal no momento e, eu me nego a não equilibrá-lo com maestria. 

Você sabe dizer quais pratos seus são de plástico e quais são de cristal? É bom que comece a pensar sobre isso e, talvez, só talvez, fique melhor sua performance como equilibrista de pratos, vulgo ser mulher.

PS: escrever era um prato de cristal que se tornou prato de plástico. Esse prato ainda tem valor para mim, muito valor. Mas veja! Ele ainda existe, eu só ainda não aprendi a equilibrá-lo sempre. Ele perde com frequência para o meu prato de cristal...

Com amor,

Danielle Marins
22:00:00 No comentários


Ensaiei esse tempo. Aos vinte, eu apenas imaginava como seria, mas a verdade é que nada foi nem perto do que eu imaginei. Aos trinta, eu sabia que chegaria em um piscar de olhos e, assim foi. Passou o tempo, voando como o vento que não se vê, que apenas se sente. E eu senti.

Dizem que Jesus atingiu o ápice da sua jornada com essa idade. E eu me inspirei Nele. Eu esperei que ela chegasse para mim. E chegou e, agora, procuro eu esse ápice. Eu não sou néscia nem estúpida em me comparar ao incomparável Senhor Jesus. Porém, me pergunto se o meu ápice está em crucificar o meu eu ou em ressuscitar algo em mim. Seja qual for a opção, ambas são escolhas difíceis a se fazer sobre si mesmo. Mas logo à frente dou atenção a isso.

Esse ano eu fiz trinta e três anos. Dois numerais consecutivos e iguais, lado a lado. Brincando de espelhar um o outro enquanto no espelho tento entender o que mudou. Nada e tudo.

Nada mudou quando penso que continuo amando escrever. Que ainda amo colecionar memórias em diários. Que livros ainda são minha eterna paixão em ter e ler. Que eu ainda tenho criatividade para criar textos, brincar com as palavras.

No entanto, tudo mudou quando escrever agora se tornou raro porque tenho menos tempo. Que as memórias em diários não são apenas para mim ou sobre mim. Que ler agora se tornou uma atividade diária para uma pequena ouvinte assídua e exigente. Que eu ainda tenho energia e criatividade para criar histórias e brincar com bonecas.

A maior metamorfose que eu vivi nos últimos anos foi me tornar mãe. Ser mãe mudou tudo e nada em mim. Nada porque ainda sou eu, mas tudo porque sou eu de uma forma melhor. Mas ser mãe é o meu apogeu?

Sinto em dizer que eu fiz trinta e três, mas concluí que ainda não atingi o meu ápice. Contudo, me alegro em perceber que o estou construindo gradativamente e continuamente.

Eu crucifico todos os dias algo em mim e ressuscito melhor. É como ser confrontada e constrangida diariamente. Para ser melhor e mais humana. Para mim, mas principalmente para os meus. Afinal, não são os dois principais mandamentos: "amar a Deus e amar ao próximo como a si mesmo"?.

Por amor a Deus, eu me crucifico por amor ao meu próximo, mas ressuscito também por amor a mim mesma. E por amor, apenas. Afinal, 'sem amor'... o que me lembra aquele outro versículo.

Eu amo quem sou e quem sigo me tornando. Quero continuar por, quem sabe, mais trinta e três anos, mas não estou contando, apenas sigo escrevendo e vivendo...

Com amor,

Danielle Marins
21:54:00 No comentários



São José dos Campos, 09 de Junho de 2020.

Nunca me faltaram palavras, não na hora de escrever. Porém, hoje é um daqueles dias atípicos.

Vinte e oito anos e, em pelo menos vinte deles eu escrevo. Em diários, registrando cada passo, cada avanço e cada fracasso. Em cartas, algumas para mim, muitas para Deus e diversas para os outros. Em folhas avulsas, cadernos sortidos e páginas midiáticas.

Coleciono palavras. Muitas delas entreguei com amor. Outras deixei se expressar com a dor. Algumas escaparam na raiva. Outras saíram de mim, para mim, para os outros, para Deus.

Vinte e oito anos e, em pelo menos vinte deles eu escrevo. Redações, importantes e avaliativas. Devocionais, como forma de me aperfeiçoar, e de aproximar as pessoas do amor de Deus. Histórias, reais e imaginárias. Reflexões, sendo a maioria delas para que eu mesma refletisse. E, textos de diversos aspectos, objetivos e para diferentes destinatários.

Coleciono palavras. Não me orgulho de todas elas, mas todas elas me pertencem. Algumas só não estão comigo porque as dei. Poucas eu esqueci e, muitas eu guardei.

De dentro para fora, de fora para dentro. Palavras!

Palavras ficam quando nos vamos. Palavras permanecem quando não estamos. Palavras expressam. Palavras clamam.

Vinte e oito anos, e escrevendo. Escrevendo estórias enquanto escrevo a minha história. 

E, eu vou envelhecendo, gradativamente, enquanto minhas palavras crescem, vão ganhando mais vida. Elas terão mais experiência. Elas terão cada vez mais a minha identidade.

São as minhas palavras.

Vinte e oito anos! Mas não estou contanto. Eu estou escrevendo.

Escrevendo quando já não sei mais o que dizer.

Mais um ano. Mais uma primavera. Mais um capítulo. E, eu vejo palavras.

E, vou escrevendo...

Com amor,

Sua Dani

10:44:00 2 comentários
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Eu sou uma amontoado de coisas. Gosto de tudo. Nem tudo. Contudo faço de tudo um pouco. Uma dessas coisas é escrever. Disso, você pode me culpar. De resto, só estou tentando me encontrar.

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