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Danielle Marins, 2019. Tecnologia do Blogger.

Danielle Marins


A maternidade faz uma "limpeza" natural nas nossas relações. É normal e vai acontecer. Aconteceu comigo.

Algumas pessoas não suportam o nosso caos e outras estão tão mergulhadas em seus próprios caos que não conseguem nos alcançar ou nos ajudar. E o que acontece? Em ambos os casos, se afastam um do outro.

Quando me tornei mãe, pensei que perderia amizades porque me tornaria menos interessante ou menos disponível. Eu sabia que isso aconteceria, cedo ou tarde. E sabia que essas pessoas seriam, em grande chances, as que não tinham filhos. Afinal, é até compreensível que pessoas que não tenham filhos, não consigam acompanhar ou até querer testemunhar o caos que a maternidade pode gerar na rotina e na vida de uma mulher.

E eu me preparei para esse momento. O momento em que a maternidade redesenha o nosso "círculo social", gerando um afastamento natural de amigos sem filhos e o fortalecimento de laços com quem vive momento similar.

No entanto, fui pega de surpresa quando o afastamento veio de pessoas do mesmo lado, as que já tinham filhos. E em um momento de extrema vulnerabilidade eu percebi que nem todo mundo sabe, ou quer, ou pode, ser rede de apoio ou um ombro amigo. Algumas pessoas travam diante da mudança de vida do outro.

Em um dado momento da minha vida, quando eu ainda não era mãe, procurei de alguma forma ser presente - ou mostrar importância - na vida dos amigos que estavam passando pela mudança que é a chegada de um filho. Mas acho que fiz tudo errado. E de certo modo, não acho que tenha sido tão boa no que fiz - olha o que colhi. Contudo, eu tentei dar o melhor que eu tinha com o pouco que sabia sobre esse momento na vida de alguém.

Esse é um momento delicado na vida. A maternidade. Um momento lindo mas acompanhado de mudanças gigantescas. E nessa fase conta muito saber com quem podemos contar, nem que seja apenas para conversar.

Acredito que para os meus antigos amigos eu realmente tenha me tornado menos interessante e muito indisponível. Hoje, por exemplo, não tenho investido em uma carreira; não recebo um bom salário (monetariamente, nenhum na verdade) e, quase não tenho tempo, ou vontade, ou disposição para acompanhar as atualidades do mundo à fora e me manter antenada para uma conversa moderna. Também não tenho tido tempo para sair e participar de encontros aleatórios a qualquer hora ou lugar; e nem tempo de ficar no celular mandando mensagem ou ligando para "X" ou "Y". Realmente, assim, soo muito desinteressante e indisponível mesmo.

A realidade é que não sou indisponível, só estou indisposta pelo cansaço, pela rotina. Não sou menos interessante, apenas estou vivendo uma vida comum e, para muitos, ordinária demais para ser compartilhada.

Escrevo essas palavras, mas acredito que ainda não me curei das perdas que tive, da ausência dos amigos que escolheram sair de cena quando eu tinha me tornado protagonista. 

Sinto muito pela partida de cada um que foi. Mas sinto mais ainda por eles não terem querido permanecer e conhecer a minha nova versão; sinto muito mais, por não conhecerem a menininha por trás de toda essa transformação, minha filha, que luto a cada dia para aprender a criar e a educar contra todos os padrões desse mundo.

Ainda a pouco eu tentei resolver minhas pendências. Me reaproximar, procurar saber onde errei e se tive eu culpa de algo. Para me redimir, me desculpar. Porque hoje me sinto mais preparada para tal. Sem remorços ou mágoas. Procurei apenas porque sabia bem que se eu não desse o passo, jamais o outro lado daria. E digo que, em um fui bem-sucedida, em outro, apenas vencida. É aquilo que sempre ouvi do meu esposo: "o que um não quer, dois não fazem". E isso vale para tudo, ate para amizades.

Ah, o puerpério da amizade! Quem me dera eu tivesse passado apenas pelo outro.

Com amor (ainda e sempre) da minha parte,

Danielle Marins
15:18:00 No comentários

Chega um momento na vida que nos tornamos malabaristas ou, mais especificamente, equilibristas de pratos. Mulheres são especialistas em lidar e em "se virar" em várias áreas da vida. Geralmente e sempre, uma mulher. 

E existe um momento, uma fase em que tudo muda para uma mulher. E essa mudança se torna a base para todos os demais pratos que ela já equilibrava antes. Ser mãe.

Ser mãe altera uma mulher de forma física, mental e espiritual. A vida, o corpo, a mente e a identidade sofre uma reconfiguração que agora prioriza não mais a si mesma, mas um outro ser humano. Arrisco sem erro em dizer que este se torna o ser humano mais importante da vida dessa mulher. É natural.

Uma mulher que se torna mãe, agora tem como prioridade a sua prole. E todos os pratos que antes ela equilibrava, não sumiram e muito menos foram delegados - antes tivessem sido. Todos os pratos antes equilibrados ainda existem, mas se tornaram triviais, mas não por isso, se tornaram menos penosos.

A mulher que agora é mãe, equilibra os pratos e, eles são numerosos. Todavia, os pratos antes importantes tomam nova forma, descem no grau de prioridade, podem até cair, pois se tornaram pratos de Plástico. Se caírem não vão se quebrar. Podem talvez, sofrer algum pequeno dano, um trinco, um amassado, contudo, seguirão firmes e existentes para ainda serem equilibrados. Porquanto, um prato muito importante, que de forma imponente gere e dita o curso e o ritmo dos demais pratos, está sendo equilibrado como o centro de todo o resto do malabarismo. E este prato não pode cair, nunca. É frágil, mas é valioso, porque esse prato é de Cristal.

Ah, o prato de Cristal!

A verdade, que nenhuma mulher, muito menos uma mãe quer admitir - embora precise - é que ninguém equilibra todos os pratos. No entanto, o segredo está em saber quais pratos são de plástico e quais são de cristal.

Eu sou essa mulher que tem muitos pratos para equilibrar. Uns tenho deixado sem muitos cuidados, vivem caindo, mas sempre tento equilibrá-los de novo, e de novo... 

Como mulher, eu passei por essa transformação. Eu me tornei mãe. E a verdade é que sigo ainda em reconfiguração. Quando será que termina? - se é que termina. E é por isso que escrevo esse texto. Para me dar clareza mas também para ser voz para alguma mulher, que como eu, sente o mesmo.

Meus muitos pratos são de plástico, ainda que sejam alguns deles de grande valor para mim. Mas eu sei que há um único prato de Cristal no momento e, eu me nego a não equilibrá-lo com maestria. 

Você sabe dizer quais pratos seus são de plástico e quais são de cristal? É bom que comece a pensar sobre isso e, talvez, só talvez, fique melhor sua performance como equilibrista de pratos, vulgo ser mulher.

PS: escrever era um prato de cristal que se tornou prato de plástico. Esse prato ainda tem valor para mim, muito valor. Mas veja! Ele ainda existe, eu só ainda não aprendi a equilibrá-lo sempre. Ele perde com frequência para o meu prato de cristal...

Com amor,

Danielle Marins
22:00:00 No comentários
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Eu sou uma amontoado de coisas. Gosto de tudo. Nem tudo. Contudo faço de tudo um pouco. Uma dessas coisas é escrever. Disso, você pode me culpar. De resto, só estou tentando me encontrar.

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