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TRINTA E TRÊS



Ensaiei esse tempo. Aos vinte, eu apenas imaginava como seria, mas a verdade é que nada foi nem perto do que eu imaginei. Aos trinta, eu sabia que chegaria em um piscar de olhos e, assim foi. Passou o tempo, voando como o vento que não se vê, que apenas se sente. E eu senti.

Dizem que Jesus atingiu o ápice da sua jornada com essa idade. E eu me inspirei Nele. Eu esperei que ela chegasse para mim. E chegou e, agora, procuro eu esse ápice. Eu não sou néscia nem estúpida em me comparar ao incomparável Senhor Jesus. Porém, me pergunto se o meu ápice está em crucificar o meu eu ou em ressuscitar algo em mim. Seja qual for a opção, ambas são escolhas difíceis a se fazer sobre si mesmo. Mas logo à frente dou atenção a isso.

Esse ano eu fiz trinta e três anos. Dois numerais consecutivos e iguais, lado a lado. Brincando de espelhar um o outro enquanto no espelho tento entender o que mudou. Nada e tudo.

Nada mudou quando penso que continuo amando escrever. Que ainda amo colecionar memórias em diários. Que livros ainda são minha eterna paixão em ter e ler. Que eu ainda tenho criatividade para criar textos, brincar com as palavras.

No entanto, tudo mudou quando escrever agora se tornou raro porque tenho menos tempo. Que as memórias em diários não são apenas para mim ou sobre mim. Que ler agora se tornou uma atividade diária para uma pequena ouvinte assídua e exigente. Que eu ainda tenho energia e criatividade para criar histórias e brincar com bonecas.

A maior metamorfose que eu vivi nos últimos anos foi me tornar mãe. Ser mãe mudou tudo e nada em mim. Nada porque ainda sou eu, mas tudo porque sou eu de uma forma melhor. Mas ser mãe é o meu apogeu?

Sinto em dizer que eu fiz trinta e três, mas concluí que ainda não atingi o meu ápice. Contudo, me alegro em perceber que o estou construindo gradativamente e continuamente.

Eu crucifico todos os dias algo em mim e ressuscito melhor. É como ser confrontada e constrangida diariamente. Para ser melhor e mais humana. Para mim, mas principalmente para os meus. Afinal, não são os dois principais mandamentos: "amar a Deus e amar ao próximo como a si mesmo"?.

Por amor a Deus, eu me crucifico por amor ao meu próximo, mas ressuscito também por amor a mim mesma. E por amor, apenas. Afinal, 'sem amor'... o que me lembra aquele outro versículo.

Eu amo quem sou e quem sigo me tornando. Quero continuar por, quem sabe, mais trinta e três anos, mas não estou contando, apenas sigo escrevendo e vivendo...

Com amor,

Danielle Marins

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