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Danielle Marins, 2019. Tecnologia do Blogger.

Danielle Marins



Ensaiei esse tempo. Aos vinte, eu apenas imaginava como seria, mas a verdade é que nada foi nem perto do que eu imaginei. Aos trinta, eu sabia que chegaria em um piscar de olhos e, assim foi. Passou o tempo, voando como o vento que não se vê, que apenas se sente. E eu senti.

Dizem que Jesus atingiu o ápice da sua jornada com essa idade. E eu me inspirei Nele. Eu esperei que ela chegasse para mim. E chegou e, agora, procuro eu esse ápice. Eu não sou néscia nem estúpida em me comparar ao incomparável Senhor Jesus. Porém, me pergunto se o meu ápice está em crucificar o meu eu ou em ressuscitar algo em mim. Seja qual for a opção, ambas são escolhas difíceis a se fazer sobre si mesmo. Mas logo à frente dou atenção a isso.

Esse ano eu fiz trinta e três anos. Dois numerais consecutivos e iguais, lado a lado. Brincando de espelhar um o outro enquanto no espelho tento entender o que mudou. Nada e tudo.

Nada mudou quando penso que continuo amando escrever. Que ainda amo colecionar memórias em diários. Que livros ainda são minha eterna paixão em ter e ler. Que eu ainda tenho criatividade para criar textos, brincar com as palavras.

No entanto, tudo mudou quando escrever agora se tornou raro porque tenho menos tempo. Que as memórias em diários não são apenas para mim ou sobre mim. Que ler agora se tornou uma atividade diária para uma pequena ouvinte assídua e exigente. Que eu ainda tenho energia e criatividade para criar histórias e brincar com bonecas.

A maior metamorfose que eu vivi nos últimos anos foi me tornar mãe. Ser mãe mudou tudo e nada em mim. Nada porque ainda sou eu, mas tudo porque sou eu de uma forma melhor. Mas ser mãe é o meu apogeu?

Sinto em dizer que eu fiz trinta e três, mas concluí que ainda não atingi o meu ápice. Contudo, me alegro em perceber que o estou construindo gradativamente e continuamente.

Eu crucifico todos os dias algo em mim e ressuscito melhor. É como ser confrontada e constrangida diariamente. Para ser melhor e mais humana. Para mim, mas principalmente para os meus. Afinal, não são os dois principais mandamentos: "amar a Deus e amar ao próximo como a si mesmo"?.

Por amor a Deus, eu me crucifico por amor ao meu próximo, mas ressuscito também por amor a mim mesma. E por amor, apenas. Afinal, 'sem amor'... o que me lembra aquele outro versículo.

Eu amo quem sou e quem sigo me tornando. Quero continuar por, quem sabe, mais trinta e três anos, mas não estou contando, apenas sigo escrevendo e vivendo...

Com amor,

Danielle Marins
21:54:00 No comentários



São José dos Campos, 09 de Junho de 2020.

Nunca me faltaram palavras, não na hora de escrever. Porém, hoje é um daqueles dias atípicos.

Vinte e oito anos e, em pelo menos vinte deles eu escrevo. Em diários, registrando cada passo, cada avanço e cada fracasso. Em cartas, algumas para mim, muitas para Deus e diversas para os outros. Em folhas avulsas, cadernos sortidos e páginas midiáticas.

Coleciono palavras. Muitas delas entreguei com amor. Outras deixei se expressar com a dor. Algumas escaparam na raiva. Outras saíram de mim, para mim, para os outros, para Deus.

Vinte e oito anos e, em pelo menos vinte deles eu escrevo. Redações, importantes e avaliativas. Devocionais, como forma de me aperfeiçoar, e de aproximar as pessoas do amor de Deus. Histórias, reais e imaginárias. Reflexões, sendo a maioria delas para que eu mesma refletisse. E, textos de diversos aspectos, objetivos e para diferentes destinatários.

Coleciono palavras. Não me orgulho de todas elas, mas todas elas me pertencem. Algumas só não estão comigo porque as dei. Poucas eu esqueci e, muitas eu guardei.

De dentro para fora, de fora para dentro. Palavras!

Palavras ficam quando nos vamos. Palavras permanecem quando não estamos. Palavras expressam. Palavras clamam.

Vinte e oito anos, e escrevendo. Escrevendo estórias enquanto escrevo a minha história. 

E, eu vou envelhecendo, gradativamente, enquanto minhas palavras crescem, vão ganhando mais vida. Elas terão mais experiência. Elas terão cada vez mais a minha identidade.

São as minhas palavras.

Vinte e oito anos! Mas não estou contanto. Eu estou escrevendo.

Escrevendo quando já não sei mais o que dizer.

Mais um ano. Mais uma primavera. Mais um capítulo. E, eu vejo palavras.

E, vou escrevendo...

Com amor,

Sua Dani

10:44:00 2 comentários


Estamos todos contando a nossa história. Estamos todos vivendo enquanto ela acontece.

Eu vejo pessoas preocupadas demais. Eu vejo pessoas correndo demais. Eu vejo pessoas ocupadas demais. Será que conseguem compreender que suas histórias já estão sendo escritas?

Suas histórias importam. Suas histórias são importantes.

Todas elas valem a pena serem ouvidas. Todas elas valem a pena serem escritas. E estão sendo enquanto estão acontecendo.

Mas quem tem parado para ler?

É que vivemos tão preocupados com o futuro de nossas histórias que esquecemos que o trajeto também interessa.

Vivemos correndo tanto para chegar ao destino final, que quando chegarmos, estaremos cansados demais.

Vivemos tão ocupados que nos esquecemos que o caminho faz o caminhante e que não aproveitamos a estrada como devíamos.

O processo de construção é o que vale a pena. A obra é tão importante quanto o edifício.

Eu sei que é difícil. A vida não é justa, eu sei. Ela apenas acontece.

O tempo dita o compasso, enquanto dançamos sua música.

Estamos todos correndo. Preocupados. Ocupados.

Queremos ser importantes. Queremos ser ouvidos. Queremos deixar nossa marca no mundo! Mas a que custo?

Do que adianta escrever uma história da qual não somos protagonistas? De que vale todo o esforço se na narrativa de nossas vidas, fomos apenas figurantes?

Eu sei, estamos todos tentando contar nossas histórias! Eu mesma estou aqui digitando, escrevendo enquanto componho a minha!

Mas eu não quero apenas contar a minha história. Eu quero vivê-la!

E a história de todo mundo não é a minha. Apenas a minha história me pertence! E eu deveria querer vivê-la enquanto ela acontece.

O fato é que eu decido que não vou ser espectadora da minha própria história. Decida-se também!

Pois a história de todo mundo continua a ser contada, mas e a sua?



05:00:00 2 comentários
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Eu sou uma amontoado de coisas. Gosto de tudo. Nem tudo. Contudo faço de tudo um pouco. Uma dessas coisas é escrever. Disso, você pode me culpar. De resto, só estou tentando me encontrar.

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